Desde o seu auspicioso início em 1999, o Bloco de Esquerda (BE) tem marcado presença no panorama parlamentar português. Nasceu sob a égide de unir os fragmentos dispersos da extrema-esquerda radical, prometendo um sopro de frescura. Volvidos todos estes anos, o partido enfrenta o paradoxo dos partidos extremistas, uma metamorfose que oscila entre o radicalismo irreverente e o pragmatismo radical.
A identidade do BE, que anteriormente se caracterizava por um vigoroso ímpeto revolucionário e um desafio ao status quo, após um interregno em que se alinhou e subscreveu as políticas do primeiro governo de Costa, um período considerado por muitos como um divisor de águas, desvendou uma faceta moderada e inesperada. Mas, terá sido efectivamente um sinal genuíno de moderação e maturidade política ou um ardil calculista dos seus reais propósitos? Os descontentamentos internos, que culminaram com a saída de alguns membros históricos, apontam no sentido de uma crise identitária. Acusações de taticismo, sectarismo e distanciamento das bases revelaram um BE que lutava para reconciliar o seu passado radical com as exigências de moderação do presente político. Somos inclinados a acreditar que os dissidentes tinham razão quanto ao taticismo, mas enganaram-se colossalmente se pensavam que o Bloco se afastava dos ideais extremistas e radicais fundadores.
Hoje, o BE parece reavivar as orientações fundadoras, voltando a abraçar os ideais trotskistas, nomeadamente da revolução permanente, que estiveram na sua génese. Revestindo-se de uma estratégia mais astuta e dissimulada, o partido, num tom moderado e direcionado para temas que causam divisão e apelam ao populismo, cuidadosamente, esforça-se por forjar uma imagem de credibilidade, visando um aumento gradual da sua influência política. Ao mesmo tempo, alia-se ao Partido Socialista de Costa, fortalecendo a sua trajetória na conquista do poder.
Este taticismo do BE, porém, levanta preocupações sobre o futuro da política em Portugal. Ao observarmos o cenário atual, é evidente que a solução não reside na perpetuação dos extremos, seja à esquerda ou à direita. O radicalismo, seja qual for a sua bandeira, nunca é solução, mas sim fonte de divisão e estagnação.
A saga do Bloco de Esquerda, infelizmente, espelha em muitos aspetos a história turbulenta da política mundial, marcada por experiências extremadas que, sob a promessa de um Éden, resultaram sempre na supressão da liberdade, na pobreza e na desigualdade. Esta é uma lição histórica que não devemos esquecer. Da mesma forma que a história tem sistematicamente rejeitado as políticas de esquerda, também nós as devemos rejeitar e definir um novo caminho. Esse caminho deve ser inequivocamente liberal, o único capaz de nos arrancar do marasmo a que fomos relegados.
Portugal hoje precisa de uma abordagem mais equilibrada. Que caminho devemos seguir para alcançar uma política que alie a responsabilidade fiscal à sensibilidade social e que promova a liberdade individual, sem descurar o bem-estar comum? A resposta, acredito, encontra-se no liberalismo.
O liberalismo, enfatizando a liberdade, a responsabilidade individual e a inovação, emerge como a solução para o atual impasse. As políticas liberais estimulam o empreendedorismo, a criação de riqueza e a eficiência, ao mesmo tempo que garante a proteção dos mais desfavorecidos através da riqueza gerada. Este é o percurso que fomenta o progresso, honrando a diversidade de ideias e opiniões. Fernando Pessoa afirmou : "Liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo."
Sunday, 3 December 2023
A Saga do Bloco e o Desafio do Liberalismo em Portugal
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